Paço do Frevo homenageia Galo da Madrugada em nova exposição

O maior bloco de Carnaval do mundo é tema da nova exposição temporária do Paço do Frevo, “A Magia do Galo”, que abre as portas no dia 27 de outubro, às 19h, com cortejo e shows de diversos artistas pernambucanos num palco armado em frente ao museu. Saudando o Carnaval, o Centro de Referência em Salvaguarda do Frevo vai homenagear Sua Majestade, o Galo da Madrugada, em três ambientes expositivos. O visitante verá um amplo resgate histórico, simbólico e afetivo de 44 anos de desfiles da agremiação, ter uma experiência imersiva que o levará para dentro da multidão e também curtir uma celebração aos carnavais do Centro do Recife e ao frevo que pulsa sobretudo nos bairros de Santo Antônio e São José. A mostra ficará em cartaz até março de 2024.

 

Na noite de inauguração, o Paço estará de portas abertas, com acesso gratuito, das 19h às 21h, para quem quiser conferir a novidade em primeira mão. “A Magia do Galo” - uma concepção do Paço do Frevo, Cactus Produções e Galo da Madrugada, com realização do Ministério da Cultura, Prefeitura do Recife, Fundação de Cultura Cidade do Recife e Instituto Cultural Vale, patrocinador master, através da Lei Rouanet, e apoio da Pitú - ficará no térreo do museu, inaugurando o novo espaço de exposições temporárias, agora ampliado, do equipamento cultural localizado na Praça do Arsenal.

 

 O evento de abertura será de festa e reverência ao maior símbolo da folia do Recife, com cortejo do Galo da Madrugada saindo às 19h da Rua do Bom Jesus, na esquina com a Av. Rio Branco, em direção ao Paço. Participam o Bloco das Ilusões e a Orquestra Mirim do Galo da Madrugada, do Maestro Vitor Bispo. O desfile terá a presença do estandarte do Galo e de Mestre Zacarias, porta-estandarte do bloco há mais de 40 anos, além de clarins, galinhos e representantes dos Palhaços Clóvis, Caboclinhos Tapirapé, Maracatu Leão Formoso, Maracatu Leão da Campina e passistas.

 

No palco, com programação que também começa às 19h, quem comanda a festa é a Orquestra Metais do Maestro Jorginho Lima Neto, com shows de Almir Rouche, André Rio, Cíntia Barros, Gustavo Travassos, Marron Brasileiro e Michelle Melo.

 

 “A exposição mergulha no universo do Galo da Madrugada e na relação dos foliões que são apaixonados por essa agremiação. Procuramos, o tempo inteiro, demonstrar a magnitude da paixão que o folião, que escolhe passar o Sábado de Zé Pereira no Galo da Madrugada, sente. A agremiação que arrasta uma multidão às ruas centrais do Recife e que se conecta pela vibração do Frevo precisava estar representada à altura na exposição que faz a virada para o ano em que o Paço do Frevo irá completar 10 anos”, afirma a diretora do Museu, Luciana Félix.“Aqui, no Centro de Referência em Salvaguarda da manifestação cultural que é um dos marcos cruciais e simbólicos da identidade pernambucana, o Galo da Madrugada pede passagem. E a nós, do Paço do Frevo, só cabe entoar: ‘Ei pessoal, vem, moçada, vem conhecer, no Paço, o Galo da Madrugada’”, festeja.

 

 Rômulo Meneses, presidente do Galo da Madrugada, diz que a agremiação recebe, com orgulho, esta homenagem do Paço do Frevo: "O Recife é agraciado com uma exposição que enaltece a importância histórica e cultural de uma das maiores agremiações carnavalescas do planeta, patrimônio do Estado de Pernambuco. Esperamos, com ela, tocar o coração dos foliões e foliãs que nos acompanham e enchem de alegria as ruas centrais da cidade, além de conquistar, com nossa magia, novos apaixonados pelo carnaval do Sábado do Galo.”

 

A curadoria é de Ângelo Filizola. A ideia foi unir, num só lugar, os elementos da explosão, da tradição, da memória e da experiência festiva que só o Galo da Madrugada proporciona. Tudo isso puxado pelo desejo brincante de transformação da ordem do mundo no Sábado de Carnaval. “O ‘Carnaval começa no Galo da Madrugada’, quando uma multidão se manifesta indomável e irreprimível pelas ruas do Recife, reocupando o que sempre lhe pertenceu e regenerando os sentidos carnavalescos da vida: paixão, poesia e combustão. O Galo é prenúncio e representação: o abre-alas da festa de maior brilho, do tempo de renovação ritualística do qual somos partícipes e devotos”, decreta.

 

“Faz parte do Carnaval, como nós conhecemos e só nós fazemos, viver o Galo da Madrugada, reconhecer sua magia que encanta e agrega multidões. Mas vale demais irmos além da celebração, por um momento olharmos a história, desvendar as origens, ver que o bloco é também um gigante na defesa do frevo e das nossas tradições culturais, desde os primórdios; nasceu assim, cresceu assim. A exposição do Paço reverencia merecidamente o Galo, apresenta este patrimônio recifense nos seus tempos e espaços, que são - e seguirão assim - monumentais”, celebra Ricardo Mello, secretário de Cultura do Recife.

 

OS TRÊS AMBIENTES EXPOSITIVOS - A sala “Tempo Festivo” localiza o Galo da Madrugada na história do Carnaval do Recife e no conjunto de memórias de seus 44 desfiles. Nesse espaço, o visitante poderá conhecer e contemplar importantes registros documentais do tempo passado, peças do acervo da agremiação, narrativas memoriais de interesse público e de valor histórico e também conferir uma homenagem a Enéas Freire, seu fundador e presidente emérito. Constam ainda depoimentos de artistas celebrando a vivacidade do Galo, além de um mapa que localiza o clube no tempo passado-presente – uma vez que ele se refaz a cada novo ciclo, inserindo elementos inéditos, entende a tradição como matéria-prima para a novidade, e não apenas como relíquias de outrora.

 

O ambiente “Magia das Multidões” propõe uma experiência imersiva no desfile do Galo da Madrugada, aproximando o visitante de uma vivência carnavalesca, por conseguinte emocional, subjetiva e singular. A “maior agremiação do mundo” se traduz na imagem-símbolo das ruas repletas de foliãs e foliões, quebrando recordes a cada edição. A sala explora essa “estética das multidões”, do povo em ebulição ao som do Frevo, energizado pela arrebatação de uma musicalidade sinestésica e de alto teor identitário. Ela reflete a força do aparato festivo que emociona e, por isso, faz o Sábado do Galo ser sempre um lapso tempo-espaço inesquecível.

 

Na sala “Território Folião”, explora-se a relação do Galo da Madrugada com o Centro do Recife, mais precisamente com os bairros de São José e de Santo Antônio, abordando a vida social do clube, a tradição de seu cortejo, a relação com outras agremiações carnavalescas e a pujança das atividades de sua sede. A sala comunica essa poética própria forjada na memória dos “carnavais saudosos” e valoriza tanto a vivacidade das práticas festivas e formativas da atualidade, na centralidade simbólica da cultura pernambucana, quanto a manutenção do Centro da cidade como território privilegiado do Frevo.